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Júlia Debowski, golfista promessa para o Rio-2016

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Em 2016 ela terá apenas 19 anos, mas mesmo assim Júlia sonha alto. Será no Rio de Janeiro, depois de 112 anos, que o golfe voltará a ser considerado modalidade olímpica. Se depender dos planos dessa promessa de apenas 13 anos, estaremos bem representados no Rio-2016.

Mesmo sabendo das dificuldades de ser a primeira do ranking nacional até lá, a catarinense natural da Fraça Júlia Debowski já mostra resultados expressivos. É atual líder do ranking nacional sub-15, ganhou as três etapas do circuito brasileiro na sua categoria em 2010 e, na última das vitórias, o Tour Nacional de Golfe de Curitiba, ficou em segundo lugar na classificação geral feminina.

Ballet National de Marseille, “Métamorphoses”

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Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a receber a apresentação do Balé Nacional de Marselha em 29 de setembro último. O espetáculo “Métamorphoses”, criado em 2007 para o Grand Théâtre de Luxembourg, se inspira livremente no texto homônimo de Ovídio, poema mitológico latino composto de 15 livros escritos nos anos 1 ou 2 depois de Cristo.

O cenário e o figurino da peça são assinados pelos irmãos brasileiros Fernando e Humberto Campana, enquanto a direção fica a cargo de Frédéric Flamand –  responsável pela companhia e pela Escola de Dança de Marselha. O Balé Nacional de Marselha foi fundado em 1972 por Roland Petit e é uma das mais celebradas companhias de dança do mundo.

O evento, parte das comemorações do Ano da França no Brasil, foi realizado no teatro Governador Pedro Ivo, no Centro Administrativo do governo do estado de Santa Catarina. Além de Florianópolis, o espetáculo foi apresentado em São Paulo (2, 3 e 4 de outubro), Rio de Janeiro (7) e Brasília (10 e 11).

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Confira o Flickr oficial França.Br 2009. Para mais informações, acesse o site do Ministério da Cultura para o Ano da França no Brasil.

A sociedade que não vê e enxerga pelo LCD

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Começou não faz muito tempo. Cinco, dez, talvez mais anos, mas se difundiu sem dúvida nos últimos três, fruto do avanço tecnológico. Pode reparar, não é difícil ver; está em todos os lados, ocupando a sala, enchendo o ambiente, contaminando a paisagem, sufocando quem não é adepto – raros. Talvez seja difícil para eles verem, pois efetivamente não enxergam de fato, mas não para você.

Começou não muito intencionalmente, de forma muito despropositada, como conseqüência inconsciente da evolução tecnológica. Até o hoje o é, mas a proporção que tomou fez com que gritasse aos olhos, a todos os cinco sentidos simultaneamente. Existe, em sua essência, há mais tempo – e continuará existindo –, e a magnitude que alcança atualmente faz pensar que o futuro será ainda pior.

Tudo tem um começo, e é difícil, nesse caso, encontrá-lo. Talvez, quem sabe, chegar às origens ou à condição inicial seja possível. A necessidade de ter uma recordação, de guardar uma informação preciosa. Instinto de preservação. Para mim, começou no Louvre. Foi quando tudo fez sentido.

Museu do Louvre (Crédito: Lucas Sampaio)

– NO FLASH, PLEASE! – dizia insistentemente, em inglês mesmo, a funcionária bem vestida, de idade mais avançada e cabelos já grisalhos, aos visitantes do mais conhecido museu do mundo. O esforço era absolutamente em vão. Flashes e mais flashes tomavam a sala, a todo instante desrespeitando a visíveis placas de proibido fotografar – o que reforça a tese de que essas pessoas não enxergam.

Fins de outubro em Paris, as folhas secas ornamentavam o chão como se tivessem sido postas ali propositadamente por funcionários da prefeitura. Todo ano, a mesma coisa: chegado o outono, os encarregados iam às ruas durante as madrugadas (convenhamos: a vida noturna nessa cidade inexiste!) ao final de setembro e começo de outubro para espalhar meticulosamente aquelas folhas amarelo-amarronzadas, secas, que apesar de ser o símbolo do Canadá, combinam de uma forma única com o outono francês.

Depois de Paris, Versailles; dali para o resto do país. Uma rotina que todo ano se repete e todo ano produz o mesmo encanto nos turistas e moradores da Cidade Luz e da França. Tudo parece ser (e estar) estrategicamente pensado para os turistas – talvez por isso Paris seja a cidade mais visitada do mundo. Até mesmo o shopping center no qual se transformou o Louvre deve ser intencional.

Massificação do aparato tecnológico

Um exército de câmeras fotográficas e filmadoras de intimidar. Os flashes disparam como canhões de artilharia e afligem os olhos dos incautos que no meio campo de batalha estão postados completamente desarmados. Sim, ainda há aqueles pobres pacifistas desarmados que vão aos museus apenas para apreciar as obras de arte – mas estes são a minoria. Os soldados encontram-se sempre (bem) posicionados, indicadores prontos a disparar, cérebros inaptos a pensar, olhos incapazes de ver.

Mais do que uma doença curável, ainda em fase inicial, a patologia diagnosticada no Louvre é o sintoma mais evidente do câncer da sociedade que enxerga através de monitores. Pandemia muito mais grave que o vírus da gripe H1N1. Os sintomas, extremamente fáceis de serem reconhecidos, estão em toda parte. Basta olhar ao lado e encontrar alguém empunhando uma câmera – seja ela filmadora ou fotográfica.

Monalisa (Crédito: Lucas Sampaio)

Observe atentamente: a pessoa que a empunha é cega. Os olhos funcionam perfeitamente (ou quase, se ela estiver de óculos), mas não enxergam o que está a sua frente. O foco está no enquadramento, na composição, se tudo está sendo registrado com perfeição. A retina limita-se a registrar o que se passa no monitor de LCD e o cérebro está concentrado demais em se preocupar se tudo está nos conformes do manual de instrução – essas câmeras são realmente formidáveis! Fazem milagres até mesmo com iniciantes.

A satisfação não vem de ter a chance de ler e interpretar o mundo, mas ao transferir toda a informação armazenada pelo cartão de memória (que ironia!) ao computador, ao porto seguro digital. Até que um vírus apague tudo ou que simplesmente caia no esquecimento. O dono, salvo raríssimas exceções, jamais acessará novamente aqueles dados. Pouco importa. Mais importante do que refletir sobre o mundo em que vivemos e analisar o que está à nossa frente, ao alcance dos nossos olhos – sejam obras de arte, paisagens, pessoas, tudo ao mesmo tempo ou o que seja –, é produzir informação, produzir conteúdo. Mesmo que não sirva para nada.

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Escrevi o texto acima para o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É uma ideia que me persegue já a algum tempo e, colocando-a no papel, percebi que se trata mais de uma questão de como a sociedade atual enxerga o mundo através de aparatos tecnológicos e imagens do que apenas uma nova forma de se fazer turismo com a evolução digital e a massificação das câmeras compactas de custo acessível – minha reflexão inicial sobre o assunto.

Publico o texto na íntegra. Apesar de longo, preferi o uso de intertítulos, fotos de minha autoria e hiperlinks para dinamizá-lo.